Ciclo de Santo André
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Concerto "Caminhos de Luz"
No dia 11 de setembro, às 21h00, na Igreja de Santo André (Mafra), realiza-se o segundo concerto de 2026 no âmbito do Ciclo de Santo André, interpretado pelo organista Ignacio Ribas.
O concerto tem entrada gratuita, sujeita à lotação do espaço.
Para mais informações, contactar 261 818 347.
Consulte o Repertório.
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Ignacio Ribas Taléns (Valência, 1963) é organista, compositor e pedagogo, residente em Andorra desde 1993. Iniciou os seus estudos musicais em Valência, formando-se em piano, cravo e órgão, e obteve o diploma superior no Conservatório Municipal de Barcelona. Aperfeiçoou a técnica organística sob a orientação de Montserrat Torrent e realizou estudos de pós-graduação em musicologia no C.S.I.C. de Barcelona.
Foi distinguido, entre outros reconhecimentos, com o Prémio Nacional Juventudes Musicales (1988), o Prémio Andrés Segovia y Ruiz de Morales de interpretação de música espanhola (1990) e o Primeiro Prémio de composição para órgão Cristóbal Halffter (2011). Completou ainda a sua formação com destacados especialistas europeus em música francesa, barroco alemão, repertório ibérico e música contemporânea.
Como organista e compositor desenvolveu uma intensa atividade internacional, atuando como solista e colaborador em festivais e ciclos de concertos em numerosos países da Europa e da América. Apresentou recitais em importantes catedrais e centros organísticos internacionais, entre os quais Notre-Dame de Paris, Saint-Eustache, Versalhes, Lisboa, Roma, Viena, Colónia, Varsóvia ou Montevideu.
Concilia a sua atividade concertística com a docência no Conservatório de Música de Andorra-a-Velha, onde desenvolve também um importante trabalho pedagógico e de divulgação em torno do órgão e da música hispânica entre os séculos XVI e XXI.
Desde 1999, é diretor artístico do Festival Internacional Orgue&nd do Principado de Andorra e atualmente é organista titular da igreja arciprestal de Sant Esteve de Andorra-a-Velha. O seu percurso combina interpretação, composição, investigação e divulgação do património organístico, consolidando-se como uma das figuras de referência do órgão no âmbito ibérico.
CAMINHOS DE LUZ
A história da música para órgão pode ser entendida como um longo caminho em busca da luz. Não apenas da luz física que atravessa os vitrais das igrejas, mas também daquela que a tradição espiritual associa ao conhecimento, à esperança e à transcendência. Cada uma das obras deste programa apresenta uma forma diferente de percorrer esse itinerário, desde o Barroco ibérico até à criação contemporânea.
O concerto inicia-se com a Batalla de 6º tono, de Antonio Correa Braga, um dos mais importantes representantes da escola organística portuguesa do final do século XVII. A batalha é um dos géneros mais característicos do órgão ibérico: uma música de grande energia, contraste e brilho sonoro que evoca trombetas, tambores e o movimento dos exércitos. Para além do seu carácter descritivo, simboliza também o combate interior do ser humano e a vitória da luz sobre a escuridão.
Com Johann Sebastian Bach, a linguagem barroca alcança uma dimensão universal. A Fantasia e Fuga em lá menor BWV 561 une liberdade expressiva e rigor construtivo. A Fantasia desenvolve um discurso de grande imaginação, enquanto a Fuga transforma um único tema numa arquitetura musical de extraordinária riqueza. Em Bach, a construção musical torna-se uma imagem da ordem e da harmonia do universo.
A segunda parte do programa mergulha na riqueza do Barroco hispânico. A vibrante Xácara, de Juan Bautista Cabanilles, um dos maiores organistas da história espanhola, parte de uma dança popular para criar uma obra de grande virtuosismo, cheia de vitalidade rítmica e riqueza tímbrica.
Segue-se Vicente Rodríguez, discípulo de Cabanilles, com os seus Cinco versos e uma Pastorela sobre o “Pange Lingua”. O célebre hino eucarístico serve de base a uma sucessão de breves meditações de grande luminosidade, que permite revelar uma ampla variedade de cores sonoras do órgão, culminando numa Pastorela de carácter sereno e profundamente humano.
O centro do recital é Como un torrente de luz, do compositor e organista Ignacio Ribas. Estruturada em cinco andamentos, a obra descreve um percurso que parte da penumbra para alcançar a plenitude da luz. Desde a incerteza inicial de Penumbra expectante até ao eco suspenso de Eco de luz, a música constrói um itinerário contínuo em que a luz deixa de ser apenas um fenómeno físico para se transformar numa experiência interior. A obra foi escrita como homenagem à grande organista Montserrat Torrent, por ocasião da celebração do seu centésimo aniversário, uma figura incontornável na história do órgão ibérico e que continua, ainda hoje, em plena atividade.
O concerto termina com o Ofertorio, de Jesús Guridi, uma das figuras mais relevantes da música espanhola do século XX. Nesta obra, convivem a nobreza da escrita sinfónica, a riqueza harmónica herdada do impressionismo e a profunda inspiração melódica característica do compositor basco. A progressão desde a serenidade inicial até ao final luminoso constitui uma verdadeira afirmação de esperança.
Deste modo, Caminhos de luz propõe uma viagem através de mais de três séculos de música, unindo Portugal, Espanha e Alemanha numa linguagem comum: a do órgão, instrumento capaz de transformar o som em espaço, emoção e luz.
