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Caneja d’Infundice

Se tivermos de classificar a caneja d’infundice no ranking das mais estranhas refeições do mundo, certamente que a tradição exclusiva da Ericeira ocupará um lugar destacado.

Esta receita de caneja (peixe da família do cação) caracteriza-se precisamente pelo significado que encontramos no dicionário para a palavra infundice: “Barrela em que se demolhava a roupa muito suja para depois se lavar mais facilmente.” Não deverá ser literal a interpretação destas palavras, mas é mesmo esse odor amoniacal do peixe que esteve embrulhado em panos, segundo fontes locais, pendurado, guardado em local escuro ou até mesmo enterrado, entre 7 a 15 dias, que lhe confere características excecionais depois de cozido.

Segundo os apreciadores, o aroma intenso é compensado pela qualidade, textura e sabor de um petisco que deverá ser acompanhado por vinho tinto a cada garfada para manter a tradição e ajudar à deglutição. A guarnição é simples: batata cozida, com pele, cortada ao meio. Não desistir à primeira é uma regra de ouro para quem prova esta iguaria. Com o objetivo de garantir a continuidade da tradição e democratizar o acesso a este raro petisco, está em fase de constituição, na Ericeira, a Confraria da Caneja d’Infundice.