Parabéns, Real Edifício de Mafra!

O Real Edifício de Mafra esteve em festa no dia em que assinalou o tricentenário do lançamento da sua 1.ª pedra, representando o culminar de um ano de comemorações, traduzidas em mais de 100 diversificados eventos. No dia 17 de novembro de 2017, o programa integrou uma conferência, o lançamento de uma revista cultural, a abertura de uma exposição e um concerto a seis órgãos e três coros. Nesta ocasião, o Ministro da Cultura confirmou a instalação do Museu Nacional de Música em Mafra.

O ciclo de conferências dedicado ao tema da arquitetura e edificação deste que é o maior monumento do Barroco português contou com a presença de diversos investigadores nacionais e estrangeiros, como David Justino, Horácio Bonifácio, José Monterroso Teixeira, Nuno Ludovice, Sérgio Gorjão, Paulo Pereira, Giuseppina Raggi, Andrea Merlotti (da Real Venaria de Turim) e José Joaquín Parra Bañon (da Universidad de Sevilla).

No final da tarde, e antes da abertura da exposição, foi efetuado o lançamento da Revista Monumentos’35, cuja edição é integralmente dedicada ao Palácio Nacional de Mafra, nas suas vertentes histórica, artística e arquitetónica.

A abertura da exposição “Do Tratado à Obra: Génese da Arte e da Arquitetura no Palácio de Mafra”, foi presidida pelo Ministro da Cultura, que nesta ocasião fez público anúncio da instalação do Museu Nacional da Música no Palácio-Convento de Mafra (antigas instalações da Câmara), integrando o espólio entre os séculos XVI e XVIII, incluindo o do Barroco sacro e profano, e a criação de uma ala dedicada às charamelas reais e bandas filarmónicas e militares.

“Do Tratado à Obra: Génese da Arte e da Arquitetura no Palácio de Mafra”, comissariada por Paulo Pereira (professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa), conta com cerca de uma centena de peças, agrupadas em quatro núcleos (tratados, máquinas e instrumentos de construção, arte e o rei e a obra) que evocam a génese do pensamento e da cultura artística e arquitetónica Barroca, que está na base da construção do Palácio de Mafra e na colaboração de muitos artistas estrangeiros, resultando num dos mais importantes monumentos do seu género na Europa. A exposição está patente ao público até 31 de maio de 2018.

Este dia histórico terminou com a música do conjunto único dos seis órgãos da Basílica do Real Edifício de Mafra. Os organistas Sérgio Silva, Inês Machado, David Paccetti Correia, Margarida Oliveira, Diogo Rato Pombo e Daniela Moreira e o Coro Voces Caelestes, sob a direção de Sérgio Fontão, recriaram a componente musical de uma grande cerimónia litúrgica na referida Basílica, tal como se processaria no dealbar do século XIX. Três coros foram distribuídos por espaços diferentes da igreja, cada coro funcionando em conjunto com dois órgãos, assim tirando partido da riqueza acústica do espaço.

300 anos do Real Edifício de Mafra: 17 de novembro de 2017