Brasão da Vila de Mafra

“(…) Em 1903, o Major Guilherme dos Santos Ferreira projecta um brasão de armas que a Câmara Municipal de Mafra achará por bem aprovar e acabará referendado pela Portaria de 5 de Junho (DG, 8 de junho de 1903): “De vermelho uma torre de ouro carregada de uma cruz de Avis do próprio esmalte, entre dois crescentes de prata; chefe abatido de prata carregado de uma mitra de verde enriquecida de ouro. Coroa mural de ouro. Timbre: uma aspa ou cruz de Santo André de vermelho”.

Numa carta, publicada pelo periódico “O Correio de Mafra” (6 de abril de 1903), Francisco de Carvalho Brito Gorjão insurge-se contra o brasão escolhido, originando uma polémica em que intervieram Júlio Ivo (14 de maio) e o próprio autor da nova heráldica de Mafra que, usando o pseudónimo “Um saloio da Vila”, subscreve longa prosa justificativa (21 de maio).

Em comunicação apresentada na Associação dos Arqueólogos, transcrita num artigo impresso em “O Século” (7 de janeiro de 1926) e intitulado “Qual deve ser o brasão da Vila de Mafra”, Afonso Dornelas propõe a adopção de novo brasão de armas, segundo o qual o veado recorda as caçadas reais na Tapada e os sinos o Convento de Mafra: “De azul, veado de ouro sob dois sinos também de ouro com os cabeçotes de vermelho. Coroa mural e na base listel com a legenda da “Mafra”.

Posteriormente, em 1940, a pedido da autarquia, o Ministério do Interior concede (Portaria n.º 9690 de 18 de novembro), com o parecer favorável de Afonso Dornelas, nova constituição heráldica ao município, precisamente aquela que ainda continua em vigor: “De vermelho, com uma torre de ouro aberta e iluminada do esmalte do campo e carregada por uma cruz de Avis, de verde. A torre acompanhada por dois crescentes de prata. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres “Vila de Mafra”, de negro”.

Em suma, o actual brasão perdia a mitra do Bispo e a cruz de Santo André presentes na heráldica concebida por Santos Ferreira.”

Gandra, Manuel J., “O Brasão da Vila de Mafra”

in Câmara Municipal de Mafra, “Boletim Cultural’ 93”