Doenças dos Felídeos (gatos)

Panleucopenia Felina

Também conhecida por Enterite Infecciosa Felina é uma doença viral altamente contagiosa, causada pelo Parvovírus Felino.
Afecta principalmente gatos bebés, mas é susceptível em todas as idades, não sendo transmissível ao homem.
Os animais de rua são os mais susceptíveis de contaminação, que pode acontecer através dos comedouros, tigelas de água, roupas e brinquedos que tenham estado em contacto com animais doentes ou saliva, mordeduras ou ectoparasitas (pulgas ou carraças), fezes e urina contaminada.
O vírus sobrevive até um ano em temperatura ambiental em matéria orgânica e resiste ao aquecimento a 56º até 30 minutos.
É inactivado por solução de hipoclorito a 6% e formaldeído a 4%, em 10 minutos.
O vírus da Panleucopenia Felina ataca os intestinos e os leucócitos, com progressão rápida e se não for atempadamente tratado com medicação adequada, a taxa de mortalidade aumenta.
Como sintomatologia temos:

  • Febre alta;
  • Perda de apetite;
  • Vómitos;
  • Depressão;
  • Diarreia líquida;
  • Desidratação e mais complicações secundárias que conduzem ao agravamento do estado do animal ou morte.

A vacinação preventiva evita a contaminação e propagação da doença.

Leucemia Felina

A Leucemia Viral Felina é causada por um Retrovírus (Felv), que provoca alterações no sistema imunitário do animal causando imunodepressão, tumores malignos, leucemia e anorexia grave, com possibilidade de complicações secundárias.
Esse vírus tem capacidade de causar infecção latente, ficar “escondido” nas células do animal por algum tempo, ou até anos, e não se manifestar, e a qualquer momento desencadear doença imunodepressiva, com possibilidade de criar condições favoráveis à instalação de diversos tipos de doença secundária ou crescimento de tumores malignos e leucemia.
Podem funcionar como fonte de propagação da doença, excretando o vírus para o meio, os animais assintomáticos.
Como sintomatologia, temos:

  • Anemia, depressão perda de peso e de apetite, diarreia ou prisão de ventre, aumento do volume dos gânglios linfáticos, tumores, abortos, dificuldade respiratória e falta de resistência a outras doenças.

Os gatos de todas as idades são susceptíveis de contrair a doença, no entanto, os gatos mais jovens são o alvo mais fácil.
Os sintomas aparecem entre 1 a 4 anos, dependendo da capacidade de resistência individual do organismo infectado e do agente causador.
A transmissão do vírus pode ser feita pela lambedura mútua, por ferimentos e dentadas, bebedouros e comedouros, camas e produtos de uso comum, através da via placentária ou da amamentação.
Quanto maior a densidade de animais em espaços reduzidos, maior o risco de contaminação dos animais.
No meio ambiente o vírus sobrevive somente alguns dias, sendo eliminado facilmente com os desinfectantes existentes no mercado.
O vírus não é transmissível ao homem nem às outras espécies.
Utiliza-se tratamento sintomático para melhorar a resistência do animal, prevenindo e tratando as complicações secundárias, neoplasias, tumores e leucemia.
Ao adoptar um novo animal aconselha-se sempre fazer o teste da Felv num consultório veterinário, para não adquirir um portador da doença, sendo esta doença responsável pelo maior número de morte na população felina.

A vacinação de gatos saudáveis é recomendada.

Imunodeficiência Felina - FIV - Vulgo Sida Felina

A Imunodeficiência Felina é uma doença crónica de gatos, semelhante à sida humana causada por um vírus, que pertence à mesma família do dos humanos, sendo altamente específico, não sendo transmissível a estes.
Foi descrita em 1986 para Pederson e colaboradores na Califórnia – EUA, em gatos domésticos, afectando gatos de todas as idades (dos dois meses aos dezoito anos), com maior incidência em animais de idade superior a cinco anos.
Por o principal meio de transmissão ser a saliva, através de mordeduras, considera-se os gatos machos, de vida livre o principal grupo de risco, nas brigas interterritoriais ou de acasalamento.
Também é possível a transmissão por via uterina e no período perinatal.
Nos estados agudos da doença os títulos virais no sangue e no leite são normalmente elevados.
Experimentalmente o vírus foi transmitido por via sexual, mas não representa importância tal modo de transmissão.
Foi identificado em amostras de sémen de gatos seropositivos e assintomáticos.
O desenvolvimento do vírus faz-se por fases e durante muito tempo sem sintomatologia de qualquer infecção para o gato.
Numa primeira fase este pode manifestar febre sem razão aparente, assim como ausência de sintomas.
Esta fase pode manifestar-se alguns meses após a infecção e dura geralmente dois meses. As outras fases duram por vezes meses ou anos.
Numa segunda fase o gato pode manter-se assintomático, com o número de linfócitos a diminuir, aparentando estar saudável, mas como portador pode transmitir a doença a outros felinos.
Ao aparecimento dos sintomas (terceira fase), o gato começa a perder peso e altera o padrão de comportamento.
Com a destruição das células de defesa, os gatos ficam mais vulneráveis a vírus diversos, como os responsáveis por uma simples constipação.
A sintomatologia do FIV começa a manifestar-se através da ocorrência frequente de infecções, que em estado saudável, facilmente seriam combatidas pelo gato, tais como gengivites, estomatites, otites, infecções respiratórias, etc..
Nesta última fase, já com o sistema imunitário arrasado, o gato fica com pouco tempo de vida, apenas meses, mas com a investigação científica desenvolvida, esse prazo tem tornado mais alargado.
Numa associação FIV e Felv (leucemia felina), a situação é arrasadora, fulminante.
Como meio de diagnóstico utiliza-se a análise de sangue através da detecção de anticorpos específicos.
Por vezes, ocorrem falsos positivos ou falsos negativos, e nestas situações os testes ser repetidos em laboratório.
Através do leite materno podem ser encontrados estes anticorpos em gatos até aos quatro/ seis meses.
Por inexistência de anticorpos podem ocorrer falsos negativos em gatos em fase terminal.
O tratamento do FIV é sintomático, não eliminando o vírus mas tratando secundariamente as infecções secundárias oportunistas, estimulando a resistência do sistema imunitário com medicamentos antivirais, antibióticos, fluídos e suporte nutricional e vitamínico. Assim, o gato mantem-se na mesma uma fonte de contaminação, permanecendo também durante toda a sua vida infectado por FIV.

O vírus não sobrevive muitas horas no ambiente, sendo totalmente inactivo pelos desinfectantes domésticos (entre 10-15 minutos).

Peritonite Infecciosa Felina (PIF)

A Peritonite Infecciosa Felina é causada por diversas variantes do Coronavírus.
Mais susceptíveis são animais com menos de um ano e com mais de dez anos de idade, pois o desenvolvimento do PIF está intrinsecamente ligado ao estado em que se encontra o sistema imunitário do gato.
O factor contribuinte para aumentar a susceptibilidade dos gatos é o stress (adopção, castração e tempo de recolha em gatis).
O vírus sobrevive no ambiente entre duas a seis semanas, sendo facilmente destruído com desinfectantes comuns, sendo um grave problema para gatos que vivem em grupos (centros de reprodução e abrigos), sendo raramente detectados nos que vivem dentro e fora de casa.
Não se trata de uma inflamação do peritoneu (tecido que forma a cavidade abdominal), mas sim uma vasculite (inflamação dos vasos sanguíneos).
Conforme os vasos sanguíneos danificados e os órgãos por eles alimentados, assim a sintomatologia se apresenta.
O desenvolvimento do PIF pode ser classificado de duas formas:

  • Forma abusiva ou húmida, a mais grave da doença, com muitos vasos sanguíneos gravemente danificados e com acumulação de líquido no abdómen (ascite) e no tórax, que impede os pulmões de se expandir, comprometendo a respiração do gato;
  • Forma não abusiva ou seca, é a forma mais crónica da doença, com sintomatologia vaga, tais como falta de apetite, perda de peso, febre flutuante, pelagem com pouco brilho, por vezes com ocorrência de icterícia nos gatos.

Além dos sinais de depressão e anorexia no animal, também podem surgir lesões oculares com inflamação dos vasos da retina, edema da córnea, deslocação de retina e hemorragias. Por vezes, podem ocorrer sinais neurológicos como ataxia, convulsões e alterações comportamentais.
Os sintomas apresentados na história pregressa e na potencial exposição ao coronavírus, auxiliado por exames laboratoriais associado a exame histológico obtido por biopsia, podem ser concludentes para o diagnóstico do PIF.
Ainda não existe cura para a PIF, pois o tratamento é aliviar os sintomas e manter o sistema imunitário o mais forte possível, com antibióticos, fluídos e um bom suporte nutricional.

A vacinação contra a PIF não faz parte do grupo de vacinas de base, sendo exigível uma rigorosa higiene e manutenção dos gatos em grupos reduzidos, com caixas de areia suficientes e limpas com frequência, para uma redução de contaminação.

Rinotraquite Infecciosa Felina

O seu agente viral responsável é o Herpes vírus Felino, sendo a doença viral muito frequente em gatinhos não vacinados, provocando grande mortalidade nestes.
Como sintomatologia temos:

  • Espirros;
  • Conjuntivite;
  • Febre;
  • Falta de apetite;
  • Tosse;
  • Úlceras na boca;
  • Depressão;
  • Pneumonia.

A multiplicação do vírus, efectua-se em temperatura abaixo da temperatura normal dos gatos, nas células epiteliais superficiais, dos ossos turbinados nasais e da conjuntivite, no epitélio da córnea, palato mole, amígdalas e epitélio traqueal.
A transmissão faz-se por contacto directo de gatos não vacinados, com gatos doentes ou secreções no ambiente, com período de incubação curto, normalmente.
As macro-gotículas eliminadas pelo espirro são importantes fontes de transmissão, podendo ocorrer num raio de 1,5 metros ao redor do animal doente.
O período de incubação da doença é normalmente de 2 a 6 dias, com a sintomatologia a variar entre 5 a 7 dias.
O Herpes vírus não é eliminado no organismo do animal após o contacto, pelo que o gato não vacinado será portador do vírus toda a sua vida, pois podem recuperar da infecção tornam-se portadores assintomáticos (abrigam o vírus de forma latente).
Nos períodos de stress (hospedagem em hotéis, viagens, cirurgias, etc.) e queda da resistência imunológica poderá desencadear a replicação do vírus, recidiva os sintomas clínicos e sua disseminação, daí o aconselhamento da primovacinação e reforços animais serem fundamentais como situação de prevenção em relação à doença.
Juntamente com o tratamento medicamentoso a aplicar é fundamental uma correcta e eficiente higiene e desinfecção do ambiente onde vive o animal, no entanto, a vacinação periódica é a melhor forma de combater a doença e a sua disseminação.